Igor Gadelha

Independentemente do resultado do julgamento contra Alexandre de Moraes na terça-feira (15/9), STF terá de administrar uma crise

Gustavo Zucchi

14/09/2026 02:00

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentará uma crise após o julgamento do pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, independentemente de qual seja o resultado da sessão.

O julgamento está marcado para começar na terça-feira (15/9) e será uma sinuca de bico. Os ministros terão de escolher entre uma das piores crises internas de sua história ou fechar a Corte em si mesma.

3 imagens
1 de 3
Supremo Tribunal Federal
Daniel Ferreira/Metrópoles
2 de 3
Embora esteja previsto na lei, nenhum ministro do STF foi destituído por esse instrumento na história do país
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
3 de 3
Supremo Tribunal Federal
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Caso a maioria dos ministros opte por autorizar a investigação contra Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, o STF irritará o grupo de um dos mais poderosos magistrados da Corte.
Moraes tem boas relações com Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Também mantém relação próxima com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor Gadelha
Isso significa que a já alta temperatura do STF e dos órgãos ligados ao Poder Judiciário pode entrar em ponto de ebulição, em caso de investigação contra Moraes, com o aumento das contramedidas de seus aliados.
O próprio Moraes sinaliza que não planeja cair sozinho. Ele indica que outros ministros que também mantiveram relações com Vorcaro podem ser investigados, caso o precedente seja aberto pelo plenário do Supremo.
Risco externo
Caso salve Moraes, o STF dará uma sinalização perigosa para a população, que pode entender a decisão como uma “blindagem” e ter a percepção de que o escândalo não envolve apenas um ministro, mas toda a instituição.
Esse sentimento já está crescendo e atingindo outras instituições por causa do Caso Master e das revelações de que Daniel Vorcaro tinha interlocutores em todos os Poderes da República, na direita, no centro e na esquerda.
Receba no seu email as notícias da coluna Igor Gadelha
Frequência de envio: Diário
Ver todas
Ver todas as newsletters
Esse cenário seria especialmente prejudicial para o Supremo, que já enfrenta desconfiança do eleitorado bolsonarista e poderia ver essa rejeição crescer entre eleitores independentes.
Pior: essa decisão acabaria transformando a sensação de blindagem em um vírus altamente contagioso em circulação na Praça dos Três Poderes. E pularia rapidamente para o Senado, Casa que serve como contrapeso ao STF.
Independentemente da gravidade dos fatos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se recusa a abrir um processo de impeachment contra Moraes, de quem é aliado de primeira hora.
Com isso, Alcolumbre pode acabar espalhando uma crise de confiança nas instituições às vésperas das eleições, o que é altamente perigoso para os chamados políticos tradicionais, da esquerda e da direita.
Quando a população deixa de acreditar que as instituições são capazes de impor limites umas às outras, o espaço para quem prega a antipolítica costuma crescer. O que nem sempre é bom.
Em suma, a decisão do Supremo sobre Alexandre de Moraes não vai resolver essa crise. Mas poderá definir se ela ficará restrita ao STF ou se espalhará pela Praça dos Três Poderes.

