Márcio Bonfim e Maristela Niz entrevistam João Campos (PSB) — Foto: Brenda Alcântara/TV Globo

Em entrevista ao NE1, João Campos promete construir hospitais, ampliar abastecimento e se defende sobre favorecimento em concurso
Em entrevista ao NE1, João Campos promete construir hospitais, ampliar abastecimento e se defende sobre favorecimento em concurso · Imagem: Source: g1.globo.com

Em entrevista ao NE1 nesta segunda-feira (14), João Campos, candidato do PSB ao governo, afirmou que vai construir quatro novos hospitais em Pernambuco, além de promover 94 grandes obras para ampliar o abastecimento de água no estado.

Ele também falou sobre pontos de sua gestão como prefeito do Recife, como atrasos e aditivos em obras públicas, problemas na abertura de vagas em creches e uma denúncia de favorecimento de um filho de juiz num concurso para procurador municipal, no caso conhecido como "fura-fila".

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João Campos, que foi eleito prefeito do Recife duas vezes, deixou o cargo neste ano para disputar o governo estadual pela primeira vez. Ele tenta suceder a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição e sua principal adversária na disputa.

A Globo convidou os candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. A entrevista teve duração de meia hora.

Caso 'fura-fila'

João Campos (PSB) responde à pergunta sobre denúncia de 'fura-fila' em concurso público

O primeiro tema abordado foi o caso conhecido como “fura-fila”, sobre uma denúncia de favorecimento do filho de um juiz que arquivou uma investigação contra a gestão de João Campos quando era prefeito do Recife. O caso se deu num concurso para procurador municipal e chegou a motivar um pedido de impeachment contra o então prefeito.

Na seleção, um advogado com deficiência deixou de ser nomeado em detrimento do filho de um juiz com uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO). Ele havia ficado na 63ª posição e foi nomeado após pedir reinscrição no concurso após receber um diagnóstico de autismo, dois anos depois da inscrição. Três procuradoras concursadas foram contra, mas a mudança foi feita mesmo assim. A nomeação foi revertida após a repercussão do caso.

Sobre o caso, João Campos negou que houvesse favorecimento do filho do juiz, e disse o que houve foi uma disputa administrativa entre duas pessoas com deficiência. Afirmou, ainda, que centenas de recursos administrativos são apresentados na prefeitura (veja vídeo acima).

"Ele apresentou um laudo feito pela Justiça Federal, pelo Tribunal Regional do Trabalho, que é um Tribunal Federal, apresentando esta condição e requereu um direito dele. Naquele momento, foi entendido que o diagnóstico havia sido depois da inscrição, mas a condição é anterior ao concurso. Isso é um procedimento administrativo, mas, como eu disse, ele foi revisto e a disputa agora se dá no ambiente da Justiça, como deve se dar", declarou.

Aditivos e atrasos em obras

O candidato foi perguntado sobre obras ainda não concluídas na sua gestão, como a do calçadão da Praia de Boa Viagem e da reforma do Mercado de São José. A primeira começou orçada em R$ 109 milhões e, com aditivos, agora está custando R$ 146 milhões. Ele afirmou que as obras citadas estão seguindo o que determina a Constituição e que "aditivos não são proibidos".

O candidato disse que regras disciplinam as obras e que, no caso de Boa Viagem, a obra é “mais complexa” e que está sendo realizado o saneamento da orla. Sobre o Mercado de São José, disse que o cronograma foi alterado por conta de descobertas arqueológicas no local.

Compesa e abastecimento

Ele foi perguntado sobre a concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), feita pelo governo de Raquel Lyra. João Campos é crítico a esse processo, e foi questionado sobre a diferença entre esse modelo e o da concessão feita pelo governo de Paulo Câmara (sem partido), de quem foi chefe de gabinete.

Afirmou que sua crítica é sobre a natureza do serviço concedido. O anterior era sobre saneamento e agora, sobre distribuição de água. Disse, ainda, que o maior problema de Pernambuco, hoje, é a "produção" de água, como a construção de poços, adutoras e barragens, para garantir volume de distribuição.

Ao falar sobre contratos e investimentos, disse que pretende fazer 94 grandes obras de abastecimento.

[Esta reportagem está em atualização]

Trajetória de João Campos

João Campos (PSB) no estúdio para entrevista no NE1 — Foto: Ana Regina/TV Globo

Engenheiro civil de formação, ele é filho do ex-governador Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 2014, e começou a carreira política como chefe de gabinete de Paulo Câmara, governador que sucedeu seu pai. Depois, em 2018, se candidatou a deputado federal e bateu recorde de votação no estado, com 460.387 votos.

Deixou o cargo dois anos depois, em 2020, ao ser eleito o mais jovem prefeito do Recife, aos 27 anos. Na época, enfrentou sua prima, Marília Arraes (à época no PT), numa campanha acirrada, marcada por trocas de acusações e vencida no segundo turno. Atualmente, ela concorre ao Senado na chapa de João Campos.

Ele foi reeleito em primeiro turno em 2024, com 78,11% dos votos, e renunciou ao cargo em abril deste ano. Seu amigo de faculdade e chefe de gabinete, Victor Marques (PCdoB), havia sido eleito vice-prefeito e ficou à frente da prefeitura após a renúncia.

Série de entrevistas

A Globo convidou os postulantes que atingiram no mínimo 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro.

Agenda das entrevistas:

- Segunda (14): João Campos (PSB);

- Terça (15): Raquel Lyra (PSD).

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