🐘 Trinta anos sozinha, uma nova chance de fazer companhia
Depois de três décadas isolada em um zoológico, uma elefanta enfim aprende o que é caminhar ao lado de outras fêmeas da própria espécie. A rotina dela está mudando por completo. ⬇️
Por três décadas, a elefanta Baby viveu em cativeiro no Beto Carrero World, em Santa Catarina. Agora, aos 34 anos, ela está no Santuário de Elefantes Brasil, em Mato Grosso, onde começa uma nova etapa de sua vida e aprende a conviver com outras fêmeas da espécie.
O caso ganhou repercussão depois que o Santuário de Elefantes Brasil mostrou os primeiros passos de Baby dentro do santuário em uma publicação no Instagram.
Quem é a elefanta Baby e por que ela viveu isolada?
Baby é uma elefanta asiática que passou grande parte da vida no Beto Carrero World, em Santa Catarina. Ela chegou ao parque ainda jovem e permaneceu ali por cerca de três décadas.
Em junho de 2024, o Mundo Animal, área que abrigava o zoológico do parque, foi fechado ao público. A maior parte dos animais recebeu novos destinos, mas a situação de Baby permaneceu indefinida por mais tempo.
O destino da elefanta acabou sendo discutido judicialmente. A decisão determinou sua transferência para o Santuário de Elefantes Brasil, onde Baby poderia passar a viver em um ambiente voltado à convivência com outros elefantes.
Como é a adaptação de uma elefanta após 30 anos isolada - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como foi a chegada da elefanta ao santuário no Mato Grosso?
A viagem começou assim que a Justiça definiu o destino do animal. O trajeto ligou Santa Catarina ao Mato Grosso e durou cerca de dois dias dentro de um contêiner adaptado para o transporte.
Antes de qualquer contato com as novas companheiras, porém, a fêmea passa por um processo cuidadoso, dividido em etapas bem definidas.
Como é a adaptação de um elefante a um novo grupo
🚛
Chegada e quarentena
Nos primeiros dias, o animal passa por exames veterinários, longe do contato direto com as demais elefantas do local.
👃
Aproximação pelo cheiro e pela distância
Depois da quarentena, as elefantas se observam e se cheiram através de cercas, uma espécie de apresentação à distância.
🤝
Primeiro contato físico
Só quando os sinais indicam calma, os cuidadores permitem que os corpos se toquem, sempre observando cada reação.
Fonte: pesquisa sobre introdução de elefantes em novos grupos, publicada no repositório do National Center for Biotechnology Information (NCBI).
Passado esse período inicial, a equipe do santuário começou a liberar aproximações cada vez mais próximas. Cada etapa respeita o ritmo da própria elefanta, sem prazo fixo para avançar de fase.
Quais elefantas recebem Baby no santuário de Chapada dos Guimarães?
O Santuário de Elefantes Brasil fica em Chapada dos Guimarães e é o primeiro da América Latina dedicado só a elefantes resgatados. Hoje, o espaço já abriga outras cinco fêmeas, todas vindas de décadas em circos e zoológicos:
- Maia, com 52 anos
- Rana, com 66 anos
- Mara, com 60 anos
- Bambi, com 62 anos
- Guillermina, com 26 anos
A chegada de Baby aumentou para seis o número de elefantas asiáticas que vivem no local. A adaptação, porém, acontece de maneira gradual. O contato entre os animais é acompanhado pela equipe do santuário, que observa o comportamento de cada elefanta e permite que os vínculos sejam construídos aos poucos.
A transferência de Baby também exigiu uma operação especializada. A viagem entre Santa Catarina e Mato Grosso percorreu aproximadamente 1,9 mil quilômetros, com acompanhamento de veterinários e tratadores, além de paradas para alimentação, hidratação, descanso e limpeza.
O que muda no comportamento de elefantes que vivem em grupo?
Só depois da fase de adaptação aparecem os sinais mais claros dos benefícios da vida em grupo. Pesquisas com elefantes em cativeiro registram mudanças de comportamento bem definidas quando o animal deixa de viver sozinho.
- Elefantes recém-apresentados costumam reproduzir o mesmo ritual de saudação observado na natureza, com sons e trombas entrelaçadas.
- A convivência em grupo tende a reduzir sinais de estresse repetitivo, comuns em quem passou anos isolado.
- Fêmeas mais velhas assumem o papel de guia, ajudando as recém-chegadas a entender a rotina do novo espaço.
Um estudo publicado no periódico científico Animals reforça esse padrão. Mesmo elefantes sem parentesco genético repetem gestos de reconhecimento social típicos da vida livre já nos primeiros encontros.
Por que essa mudança importa tanto para a elefanta?
A chegada de Baby ao santuário representa uma nova etapa depois de décadas vivendo em cativeiro e com pouco contato com outras elefantas. Agora, ela começa a descobrir uma rotina diferente, marcada pela presença de outras fêmeas, novos cheiros, sons e formas de interação. É um processo gradual, mas que já permite acompanhar os primeiros passos de uma nova vida para a elefanta.

