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Justiça homologa resultado, mas negócio ainda precisa passar por Conselho, sócios e superar investigação da Anresf

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Pedrinho, presidente do Vasco, em leilão de venda da SAF do clube — Foto: Brunno Dantas/TJRJ

O processo de venda da SAF do Vasco deu um passo gigantesco na última sexta-feira, com a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, vencendo o leilão realizado na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O resultado foi homologado pela Justiça na tarde de ontem, mas ainda não finaliza o processo.

Para a conclusão do negócio, a venda ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do Vasco e pela Assembleia Geral do clube, em votação dos sócios. A diretoria administrativa solicitou a convocação da sessão extraordinária ao Conselho Deliberativo para o dia 6 de outubro.

— Agora vamos para os outros passos, que é dar para os Conselheiros um prazo para leitura do contrato. Depois disso, sugiro ao presidente do Conselho Deliberativo (CD) que acelere os processos — e acelerar não é atropelar, é dar velocidade. Que todos os conselheiros consigam ler o contrato com transparência, como é de praxe na minha gestão. Vamos chamar a votação no CD, na Assembleia Geral. Acredito que, até fim de outubro, está concretizado — complementou.

Além disso, a Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) ainda investiga um possível conflito de interesses na negociação, uma vez que Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A operação é avalizada pelo pai do investidor, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e marido de Leila. O regulamento da Anresf proíbe que dois ou mais clubes de uma mesma divisão sejam controlados pela mesma pessoa, família ou empresa. Essa questão precisa ser superada para a conclusão da operação.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, com empresário Marcos Lamacchia, possível futuro dono da SAF do Vasco, antes da partida entre Palmeiras e Vasco, no Nubank Parque, pelo Campeonato Brasileiro 2026 — Foto: Divulgação
A investigação da Anresf foi iniciada há um mês e já recebeu os resultados das diligências solicitadas ao investidor da Almirante Participações, Marcos Lamacchia, e aos clubes e às instituições financeiras ligadas à família Lamacchia, entre elas a Crefipar Participações e Empreendimentos S/A e o Banco Crefisa S/A. A agência, inclusive, já proibiu negociações de atletas entre Vasco e Palmeiras, além de empréstimos da Crefisa ao clube carioca.
Uma das alternativas avaliadas caso a Anresf imponha restrições é a saída de Marcos Lamacchia do contrato social da empresa até Leila deixar o Palmeiras — seu mandato vai até o fim de 2027. Marcos, inclusive, não compareceu ao leilão. A Almirante foi representada por seu sócio Mário Junqueira e por André Sica, advogado do empresário.
— Nós combinamos que, como eu sou presidente (da Almirante), eu vou estar mais à frente. E ele é um grande investidor — explicou Mário Junqueira ao GLOBO.
Mário Junqueira foi o representante da Almirante no leilão da SAF do Vasco — Foto: Brunno Dantas/TJRJ
A empresa prevê um aporte de R$ 500 milhões e o pagamento da dívida do clube, superior a R$ 1 bilhão, por meio da recuperação judicial, além de R$ 150 milhões em dez anos ao clube social.
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